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Jovem de Guimarães acusado de 76 crimes: acreditava ser um “ser superior” e queria criar uma religião

Um jovem de Guimarães está acusado pelo Ministério Público da prática de 76 crimes de pornografia infantil, quatro crimes de coação e um crime de incitamento ao ódio, num caso que está a gerar forte preocupação pela gravidade dos factos investigados.

 
Imagem Ilustrativa

O arguido, que tinha 19 anos quando foi detido pela Polícia Judiciária, foi apanhado em flagrante durante uma busca domiciliária realizada em fevereiro. Nos seus equipamentos informáticos foram encontrados centenas de ficheiros com conteúdos de abuso e exploração sexual de menores, que alegadamente eram partilhados através da internet.

 
 

Mas as autoridades terão descoberto uma realidade ainda mais perturbadora. Segundo a acusação, a que o jornal Público teve acesso, o jovem terá coagido quatro raparigas a automutilarem-se e a escreverem nos próprios corpos os nomes que utilizava nas plataformas digitais.

De acordo com os elementos do processo, o jovem teria desenvolvido, desde a adolescência, um fascínio por grupos ligados à misoginia, ao racismo, à xenofobia e a ideologias extremistas de ódio. A acusação indica ainda que acreditava ser um ser superior e pretendia criar uma espécie de religião ou irmandade, assumindo-se como uma figura semelhante a um “deus” perante os seus seguidores.

 
 

Na internet, procurava construir uma imagem de alguém perigoso, cruel e capaz de provocar medo, procurando alcançar no mundo digital o reconhecimento e o estatuto que, alegadamente, não conseguia obter nas relações presenciais.

O caso estará relacionado com a subcultura digital conhecida como “The Com”, uma rede sem estrutura hierárquica definida e com várias ramificações associadas a atividades criminosas. Entre os grupos referidos encontra-se o chamado 764, associado à manipulação, chantagem e exploração de crianças e adolescentes vulneráveis através de plataformas digitais.

 

Segundo a investigação, as vítimas podem ser abordadas online, ganhar-se a sua confiança e, posteriormente, serem sujeitas a ameaças, chantagem e manipulação emocional para a obtenção de imagens íntimas ou para serem forçadas a realizar comportamentos cada vez mais extremos.

Quando foi detido pela Polícia Judiciária, o jovem encontrava-se a viver com os avós, depois de ter sido expulso de casa. Atualmente, aguarda julgamento em prisão preventiva.

 

Um caso chocante que volta a expor os perigos escondidos nas plataformas digitais e a forma como crianças e jovens vulneráveis podem ser manipulados por redes e indivíduos que atuam a partir da internet.

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