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Júlia venceu a dor com amor: o sonho de uma menina que se transformou em sopa, pão e dignidade

“Dar sopa e um pãozinho a quem mais precisa.”
Foi este o sonho simples, mas imenso, de Júlia, uma criança de apenas 13 anos que enfrentou durante três anos e meio uma dura batalha contra o cancro. Nos seus últimos meses de vida, já em cuidados paliativos, quando lhe perguntaram qual era o seu maior desejo, Júlia não falou de brinquedos, viagens ou fama. Falou de cuidar do outro.

 

Esse sonho ganhou forma no projeto Sementes da Júlia, criado pelos pais, Vivian e Roberto Sayão, com o apoio dos irmãos Lucca e Filipe. Uma iniciativa que transforma dor em solidariedade e que hoje já alimenta corpos — e sobretudo corações — na cidade de Braga.

 
 

Segundo a mãe, foi durante o internamento que Júlia decidiu agir. “Começou por pintar quadros, que eram vendidos para angariar dinheiro para o projeto solidário. Vendia aos médicos, enfermeiros e a todas as pessoas que cruzavam a vida dela. Quando juntou algum dinheiro disse: ‘agora já posso fazer a sopa, mas tem de ser com pãozinho’”, recorda Vivian Sayão, com emoção.

Júlia não chegou a ver o seu sonho concretizado. Mas as sementes que lançou continuam a germinar. Em estreita articulação com a Paróquia de São Lázaro, profissionais de saúde e, mais recentemente, com a Cáritas Arquidiocesana de Braga, o desejo da menina tornou-se uma resposta concreta às necessidades de quem vive em situação de maior vulnerabilidade.

 
 

Deste compromisso nasceram duas iniciativas regulares na sede da Cáritas de Braga: a Sopa da Júlia, servida às quintas-feiras e sábados, e o Pequeno-Almoço Solidário, aos domingos. “Estamos aqui pelo amor que a Júlia tinha pelo outro, inspirado na vida e no coração dela”, sublinhou Vivian Sayão no primeiro Pequeno-Almoço Solidário, realizado em janeiro.

Em apenas quatro semanas, o projeto já distribuiu 300 sopas e 48 pequenos-almoços, contando atualmente com o envolvimento de mais de 70 voluntários.

 

Para a diretora técnica da Cáritas de Braga, Eva Ferreira, o impacto vai muito além da alimentação. “Foi de braços abertos que recebemos este projeto que, mais do que garantir refeições, promove proximidade, presença, cuidado e dignidade junto de pessoas em situação de maior vulnerabilidade. É também um complemento às refeições que a Cáritas de Braga já serve diariamente”, afirmou.

Projeto leva carinho ao IPO do Porto

 

O Sementes da Júlia não se limita à distribuição de refeições. O projeto tem estado igualmente ao lado de crianças e adolescentes acompanhados no IPO do Porto, levando gestos de conforto e esperança a quem enfrenta a mesma luta que Júlia travou com coragem.

No último Natal foram entregues 70 presentes, “num gesto de carinho e esperança nesta época especial”, explica Vivian Sayão. Já no próximo dia 4 de fevereiro, Dia Mundial do Cancro, a família regressa ao IPO do Porto para deixar mensagens escritas com amor, pensadas para “levar conforto, força e luz a quem atravessa momentos delicados”.

 

A história de Júlia prova que mesmo uma vida curta pode deixar um legado eterno. Hoje, em cada prato de sopa servido com pãozinho, o sonho de uma menina continua vivo — e a espalhar humanidade.

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