“‘Não Nos Vão Calar!’ Comissão de Utentes Contra-Ataca ULS Braga e Acusa Administração de ‘Perseguição’ e ‘Lei da Rolha’”
A guerra aberta entre a Comissão de Utentes da Saúde de Braga (CUSB) e o Conselho de Administração da ULS Braga está longe de terminar – e promete subir ainda mais de tom. Depois das acusações feitas pela administração hospitalar, incluindo participações no Ministério Público por alegada divulgação de informação falsa e criação de alarme social, a Comissão de Utentes reagiu de forma dura, rejeitando todas as acusações e acusando a gestão do hospital de tentar “calar” a contestação.

Em comunicado, a CUSB garante que “sempre cumpriu e continua a cumprir as leis que a regem”, assegurando que respeitou todos os prazos e procedimentos legais necessários à sua constituição e atuação. A Comissão rejeita ainda qualquer acusação de divulgação de falsidades, afirmando que o Conselho de Administração “nunca provou qualquer falsidade” nem desmentiu as informações tornadas públicas.
Para os representantes dos utentes, as acusações da administração são vistas como uma tentativa de desviar atenções de questões consideradas mais graves. Segundo a CUSB, a administração da ULS Braga estará a usar estas críticas como forma de “refúgio” para evitar responder a perguntas deixadas por escrito na última reunião entre ambas as entidades.
A Comissão admite que as suas denúncias e reclamações possam ser incómodas para a gestão hospitalar, mas reforça que a sua missão passa pela defesa dos utentes, do Serviço Nacional de Saúde público, universal e gratuito, e pela fiscalização da gestão pública.
Num dos pontos mais duros da resposta, a Comissão acusa o Conselho de Administração de lidar mal com a crítica e de não esclarecer publicamente denúncias graves alegadamente feitas por um grupo de médicos, denúncias essas que, segundo a CUSB, poderão colocar em causa “a saúde e até a vida de alguns doentes”. A falta de explicações, alegam, terá contribuído para gerar medo e desconfiança entre utentes.
A tensão aumenta ainda mais quando a Comissão pede abertamente a demissão do Conselho de Administração, justificando a posição com aquilo que considera ser um “desrespeito pelos utentes” e uma postura de silêncio perante questões críticas.
Mas as acusações não ficam por aqui. A Comissão de Utentes acusa a administração da ULS Braga de “abuso de poder”, de tentar impor uma “lei da rolha” e de demonstrar falta de respeito pela liberdade de expressão e pelos princípios democráticos consagrados na Constituição Portuguesa. A entidade diz sentir-se alvo de perseguição, mas deixa um aviso claro: “não se deixa intimidar por ameaças nem perseguições”.
No meio deste braço-de-ferro institucional, a CUSB promete manter a ofensiva e continuar a lutar pelos objetivos que diz defender: a proteção dos direitos dos utentes, a valorização do SNS, a transformação do Hospital de Braga em hospital universitário e a oposição a uma eventual Parceria Público-Privada (PPP).
A contestação vai também sair à rua. A Comissão anunciou uma ação junto ao Hospital de Braga para recolha de assinaturas de duas petições públicas — uma contra as taxas de estacionamento no parque hospitalar e outra em defesa do hospital universitário e do SNS público.
Com acusações mútuas, denúncias no Ministério Público e uma troca de palavras cada vez mais dura, o conflito entre a administração da ULS Braga e a Comissão de Utentes ameaça transformar-se numa das polémicas mais quentes da saúde na região minhota.


