Workshop “Teleféricos Urbanos – Uma alternativa para a mobilidade urbana” trouxe especialista a Guimarães

A convite da Câmara Municipal de Guimarães, César Dockweiler Suárez veio falar da experiência das cidades de La Paz e El Alto, na Bolívia.

 

Ao início da tarde de quarta-feira, 8 de junho, a Sala de Atos do Teatro Jordão foi palco para um Workshop temático dedicado à mobilidade, promovido pela Câmara Municipal de Guimarães, e que se realizou na sequência do Estudo de Mobilidade Urbana apresentado recentemente pela equipa liderada pelo Professor Álvaro Costa, da Universidade do Porto.

 
 

Domingos Bragança, Presidente da Câmara Municipal, teve a seu lado o Professor Álvaro Costa e a vereadora dos Transportes e Mobilidade, Sofia Ferreira, juntamente com o orador convidado, César Dockweiler Suárez, CEO da Empresa Estatal de Transporte por Teleférico “Mi Teleférico”, de La Paz-El Alto, na Bolívia, que veio falar da experiência desse meio de transporte como alternativa para a mobilidade urbana.

O Presidente da Câmara abriu a sessão dizendo que esta tinha como objetivo mostrar a experiência de outras cidades, para que o grande desafio que Guimarães tem, para o futuro da sua mobilidade urbana, possa beneficiar desses testemunhos e “fazer com que o sistema de transporte público seja uma boa opção”. Outro dos grandes compromissos que Domingos Bragança enfatizou é o da sustentabilidade ambiental, uma vez que a mobilidade é uma das áreas que mais contribui para a emissão de gases com efeito estufa. “O sistema que aqui vamos analisar é movido a energia elétrica. Somos uma cidade histórica e classificada, não podemos alargar as ruas e os teleféricos poderão constituir uma boa solução para a mobilidade urbana, em alguns casos particulares. No nosso caso concreto, pergunta-se da possibilidade de um sistema como este poder servir o perímetro citadino, ou mesmo ligar a cidade até outros pontos mais exteriores”, disse.

 
 

Domingos Bragança referiu ainda o investimento avultado que uma solução destas representa, mas salientou a possibilidade que Guimarães tem de se candidatar a fundos europeus destinados às 100 cidades que constituem a “Missão Cidades” da União Europeia, com vista à neutralidade climática, e que poderão ser fundamentais,  juntamente com o PRR e com o Quadro Comunitário 2030, para tornar o projeto do teleférico urbano exequível se este for solução e comparativamente o mais adequado para uma cidade histórica, património mundial como a nossa.

Na sua intervenção, o Professor Álvaro Costa deu alguns exemplos de cidades que são exemplares na implementação de soluções de mobilidade disruptivas e/ou inovadoras, como os casos do Porto com o seu metro de superfície, Pontevedra com a aposta na pedonalização da cidade, Bogotá com o sistema de BRT e La Paz com a maior rede de teleférico urbano do mundo. Para Álvaro Costa, Guimarães tem potencial para usar o teleférico como parte da solução de mobilidade, uma vez que o sistema tem várias vantagens em comparação com outros sistemas.

 

Na apresentação que realizou, César Dockweiler Suárez começou por agradecer o convite da autarquia para dar o seu testemunho no Workshop, focando-se, em seguida, em apresentar as principais vantagens de um sistema de mobilidade como o teleférico urbano. No entanto, o especialista fez notar que não há nenhum sistema de transporte perfeito e que deverá ser feito um estudo profundo das necessidades e da tipologia dos locais a servir, para que possa ser escolhido o melhor método de transporte. Para César Dockweiler Suárez, o mais normal é a adoção de sistemas intermodais, integrando o metro, BRT, comboios e teleférico.

São 4 as dimensões da utilização do teleférico urbano que acarretam vantagens: melhoria da qualidade de vida, respeito pelo ambiente, adaptação à cidade, boa opção para os governos. De entre as qualidades do sistema, destaca-se o alto grau de flexibilidade, o caráter massivo do transporte (5000 passageiros/hora/sentido), o tempo de deslocação, a taxa de acidentes 0, a disponibilidade imediata (as cabines estão em permanente movimento), a energia limpa e renovável, a eficiência energética e a vida útil do sistema (40 anos).

 

Após a apresentação, teve lugar um período de perguntas e respostas, a que se seguiu o encerramento da sessão, sem antes Domingos Bragança ter reiterado: “vale a pena, pelo menos tentar trabalhar um projeto de teleférico de perímetro urbano para Guimarães, analisados os seus impactos, a sua integração no património natural e edificado, bem como o financiamento disponível”.

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