MP pede condenação de octogenário por tentativa de homicídio em Rossas – Vieira do Minho
O Ministério Público pediu hoje a condenação, por homicídio tentado, de um homem de 84 anos que alvejou um vizinho na freguesia de Rossas – Vieira do Minho, distrito de Braga, em julho de 2012 na sequência de uma desavença por causa de águas de rega.
Nas alegações finais do julgamento, a procuradora disse que a morte só não aconteceu porque, “por acaso”, não foi atingido nenhum órgão vital e também graças às cirurgias a que a vítima teve de se submeter.
A procuradora sublinhou ainda que o arguido não tinha licença da arma.
Por isso, pediu a sua condenação por homicídio simples, na forma tentada, mas agravado pela lei das armas, mas admitiu que, face à idade avançada do arguido, a pena possa ser suspensa.
No processo, são ainda arguidas as duas filhas do idoso, acusadas de ofensas à integridade física.
Artur Marques, advogado da vítima, sublinhou que o arguido foi para o local dos factos com a arma carregada e pronto para disparar a matar e que, em julgamento, não manifestou “o mínimo arrependimento”.
O advogado pediu, por isso, “uma punição severa, adequada à idade”.
Já o advogado de defesa, Pedro Ferreira Gomes, alegou que o arguido agiu em legítima defesa, após ter sido agredido com uma sachola pela vítima.
Segundo Pedro Ferreira Gomes, o arguido vivia “aterrorizado” há anos por causa das relações de má vizinhança com a vítima e que, por isso, se fazia acompanhar de uma arma sempre que andava sozinho ou com as filhas.
Os factos remontam a 07 de julho de 2012, na freguesia de Rossas, concelho de Vieira do Minho.
As duas famílias envolveram-se em conflitos e o arguido disparou um tiro, atingindo a vítima, que era motorista profissional, na parte lateral da boca.
A vítima tem, ainda hoje, a bala alojada junto da coluna.
Após o disparo, uma filha do arguido foi à GNR e assumiu a autoria do crime, alegadamente para “proteger” o pai.
IN: Diário do Minho/Nuno Cerqueira