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Barcelos assinala Dia Nacional dos Castelos com oficinas medievais no Castelo de Faria

Dar alma e vida ao sítio e reviver o período medieval. Este é um dos objetivos a que se propõe o conjunto de ações previstas para as ruínas do Castelo de Faria, no próximo fim de semana. A iniciativa coincide com a celebração do Dia Nacional dos Castelos (7 de outubro) e faz parte da programação geral que assinala os 650 anos do Feito dos Alcaides que o Município tem vindo a assinalar, ao longo do presente ano.

 


O objetivo destas comemorações visa dar visibilidade aos castelos, enquanto monumentos centrais do imaginário medieval das populações (ver programação).
Recorde-se que, em março do ano passado, o Castelo de Faria passou para a alçada da Câmara Municipal, sendo que, a partir dessa altura, foi gizado um plano de intervenção do sítio que passa pela limpeza, preservação e dinamização cultural daquele património histórico concelhio. Assim, desde que a tutela da estação arqueológica passou para a esfera do Município de Barcelos, a autarquia já promoveu trabalhos de controlo e remoção da vegetação arbórea infestante de grande porte e das árvores com patologia que colocavam em perigo a circulação de pessoas no local, estando em curso os trabalhos de manutenção e de gestão florestal dos 4 hectares da propriedade.

 
 


Nos próximos meses, será implementado o circuito de interpretação às ruínas do povoado da Idade do Ferro e do castelo medieval, que privilegiará a informação ao visitante sobre os diferentes momentos da ocupação histórica no monte do Castelo.
Dia dos Castelos – Programação para o fim de semana
Este fim de semana (dias 6, 7, 8 de outubro), o Castelo de Faria vai transformar-se num laboratório de animação medieval, com experiências para a comunidade escolar, mas também para toda a família. Durante o fim de semana (sexta, sábado e domingo) das 10h00 às 17h00, os interessados podem sentir o pulsar quotidiano da vida no castelo, usufruir de visita guiada as ruínas do Castelo de Faria, aferir como eram as quintas de animais, e participar nas Oficinas Medievais, experienciando os vários ofícios da época medieval.
Na programação proposta pelo Município barcelense há também lugar para a apresentação da peça de teatro “Alcaides: 650 anos de Imortalidade”, encenada pela Companhia de Teatro de Santo Tirso, no dia 6 de outubro (sexta-feira). Esta ação é destinada ao público escolar, estando já inscritos mais de uma centena de alunos do 1.º ciclo.


Já no dia 7 de outubro, Dia Nacional dos Castelos, o desafio é aliciante: ser “Arqueólogo por um dia”, atividade dinamizada pelo Gabinete de Arqueologia e Património Histórico do Município de Barcelos, no aro arqueológico do Castelo de Faria. A participação é gratuita, mas carece de inscrição através do email: arqueologia@cm-barcelos.pt
Comemorações dos 650 anos do Feito dos Alcaides de Faria

 
 


Como já foi sublinhado, esta ação insere-se no conjunto mais vasto da programação das comemorações dos 650 anos do Feito dos Alcaides de Faria. Para esse efeito, o Município criou uma comissão executiva e constituiu uma Comissão de Honra da qual fazem parte, entre outras individualidades, o Presidente da República e o Primeiro-Ministro.


Das atividades já realizadas sobressai a exposição «Era uma Vez… o Castelo de Faria» que está patente no Sala Gótica dos Paços do Concelho, que dá a conhecer a história e os vestígios daquela estrutura militar medieval que, durante quatro séculos e meio, serviu para defender a Terra de Faria e as suas rotas, sendo palco de acontecimentos marcantes da História do nosso país.
A meados do ano, decorreu em Barcelos, o grande desfile “O Castelo de Faria na Idade Média”, no qual participaram cerca de 400 alunos e professores dos Agrupamentos das Escolas Rosa Ramalho e Alcaides de Faria, e foram entregues diplomas aos alunos do 2º Ciclo das escolas básicas de Fragoso, Rosa Ramalho e Gonçalo Nunes, que participaram no projeto “Um documento – Uma história”, com trabalhos elaborados sobre um documento do Arquivo Histórico, relativos ao Feito dos Alcaides de Faria. Além dos diplomas, às escolas que apresentaram os três melhores trabalhos foi oferecido um Kit de livros e um cheque-prenda de material escolar, no valor de 150 euros. Entretanto, já está agendado, de 26 a 28 de outubro, o Seminário “Os Alcaides de Faria na génese do concelho de Barcelos”, dedicado a dois públicos distintos, em dois palcos diferentes: no edifício dos Paços do Concelho, uma sessão mais vocacionada para investigadores e outros públicos interessados, e uma sessão mais vocacionada para estudantes, na escola Alcaides de Faria.

 


Castelo de Faria passou o ano passado para a alçada do Município
O Castelo de Faria passou oficialmente em março do ano passado a ser gerido pelo Município de Barcelos, através da assinatura do auto de entrega daquele monumento.
As Ruínas do Castelo de Faria e a Estação Arqueológica Subjacente, situadas nas freguesias de Gilmonde e Milhazes, foram classificadas como Monumento Nacional por Decreto-Lei nº 40684 de 13-07-1956, e constituem uma das estações arqueológicas com maior projeção do Noroeste de Portugal, pela sua dimensão, significado histórico e diversidade arqueológica.


A estação arqueológica compreende uma área de 38.513 m², propriedade do Estado Português, e estando afeta à Direção Regional da Cultura do Norte, foi agora transmitida ao Município de Barcelos, no âmbito da Lei n.º 50/2018, de 16 de agosto, que veio estabelecer o quadro de transferência de competências para as autarquias locais e para as entidades intermunicipais, e pelo Decreto-Lei n.º 22/2019, de 30 de janeiro.
O monumento é um conjunto notável de vestígios que datam desde a Pré-história até à Baixa Idade Média, passando pela Idade do Ferro, pela Romanização, e pelo período Altimedieval, implantados no outeiro noroeste do Monte da Franqueira. A ocupação sucessiva do outeiro ao longo de milhares de anos foi motivada por questões estratégicas, pelo excelente panorama visual que dali se desfruta sobre a bacia inferior do Cávado e sobre o oceano Atlântico.

 


O sítio foi alvo de intervenções arqueológicas, primeiro promovidas de forma informal pelo Grupo Alcaides de Faria desde a década de 1930 até 1950, tendo nessa altura sido identificadas e reconstruídas algumas estruturas entendidas como medievais e pertencentes ao Castelo de Faria, tendo-se então reconstruído estruturas de épocas diferentes; e numa segunda fase, as campanhas arqueológicas de 1978-1986, realizadas pela equipa de Arqueologia da Universidade do Porto, que interveio no povoado da Idade do Ferro e no quadrante do período Romano.


No local é possível observar os restos das muralhas e habitações do povoado da Idade do Ferro, de alguns edifícios do habitat Romano, mas o elemento mais monumental é o alicerce da torre de menagem e a muralha do castelo medieval, associado a dois eventos significativos da história nacional: foi neste castelo que D. Afonso Henriques assinou, em 1128, um conjunto de documentos, afirmando-se como governante do Condado Portucalense, num processo que culminou na Batalha de São Mamede; e onde foi assassinado Nuno Gonçalves, o famoso Alcaide de Faria, pelo invasor castelhano, durante a Segunda Guerra Fernandina.

 


A lenda
Reza a lenda que em 1373, reinando D. Fernando, o exército castelhano invadiu Portugal pelo Minho. As tropas portuguesas tentaram travar o avanço do inimigo, dando-lhe combate nos campos a norte de Barcelos. Durante a batalha, os castelhanos aprisionaram o alcaide do Castelo de Faria, Nuno Gonçalves e levaram-no ao castelo, para forçar a rendição dos portugueses. Nas portas do castelo, o alcaide gritou ao filho que não entregasse o castelo. Os castelhanos mataram Nuno Gonçalves diante do filho que mesmo assim, não entregou o Castelo de Faria. Este ato heroico transformou-se numa página lendária da história de Portugal, imortalizando a valentia de Nuno Gonçalves e o espírito de valentia e coragem do povo português na defesa do reino.

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