Bloco de Esquerda questiona Governo sobre demissões no Hospital de Braga

Esta semana, 9 dos 16 de chefes de equipa da Urgência do Hospital de Braga demitiram-se em bloco na sequência do número reduzido de médicos na unidade, do recurso constante a tarefeiros e da incapacidade de atender todos os doentes que acorrem aos serviços de urgência em Braga. 

 


Este é o terceiro caso de demissões conjuntas de médicos responsáveis por diversos serviços hospitalares, por falta de meios e de outras condições de trabalho, depois das demissões conhecidas no Hospital de Setúbal e na Urgência Metropolitana de Psiquiatria do Porto (UMPP).

 
 


Para o Bloco de Esquerda, esta vaga de demissões a que temos assistido no Serviço Nacional de Saúde era facilmente evitada se o Governo já tivesse tomado alguma iniciativa no sentido de, não só reforçar o número de profissionais nas unidades, mas também de garantir a valorização das carreiras e dos salários no SNS. 


Esta situação no Hospital de Braga é apenas mais um exemplo de uma política de anúncios vagos, projetos sem visão e medidas cujo alcance é praticamente nulo, como acontece com a dedicação plena apresentada pelo Governo em que, para além de permitir as portas giratórias entre privado e público, nem sequer valoriza as carreiras e com a suposta autonomia de contratação que, afinal, é apenas durante 12 meses e para casos excecionais.

 
 


Outra medida completamente absurda é a do pagamento de 25% e 50% das horas extraordinárias, uma vez que o Governo se limita a remunerar a exaustão dos médicos que já fazem milhões de horas extraordinárias, mas a não resolver o problema. 
São este tipo de políticas que potenciam estas demissões e rutura nas unidades do Serviço Nacional de Saúde. Enquanto o Governo não tiver uma postura séria na resolução destes problemas, iremos continuar a assistir a mais demissões e à degradação generalizada do SNS. 


Importa ainda lembrar que, no âmbito do OE2022, as propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda para área da saúde representam uma solução real para este, e outros, problemas nas unidades do Serviço Nacional de Saúde. O Bloco propôs uma exclusividade para os trabalhadores do SNS, exclusividade essa que é acompanhada de incentivos à adesão e de valorização de carreiras e uma real autonomia de contratação para hospitais do SNS. O Governo decidiu recusar estas respostas e apresentar medidas sem alcance e sem consequência. É, por isso, apenas e só, da responsabilidade do Governo estas constantes demissões e gritos de alerta por parte dos profissionais.

 


O Bloco de Esquerda pretende aferir: 
    1. Qual a posição do Ministério da Saúde em relação à demissão destes 9 chefes de equipa da Urgência do Hospital de Braga.
    2. Está o Governo disposto a responder aos problemas levantados por estes profissionais.
    3. Que plano tem o Governo para responder à falta de profissionais no Hospital de Braga e ao crescente recurso a tarefeiros.
    4. Está o Governo disposto a reconhecer a importância das propostas do Bloco de Esquerda e a responder de forma séria aos problemas do SNS.

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