Mina da Borralha: Montalegre à beira de novo abalo ambiental
A tranquilidade das montanhas de Montalegre pode estar prestes a ser abalada por uma nova corrida mineira. O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da mina da Borralha, uma das zonas mineiras mais emblemáticas do país, entrou esta terça-feira em consulta pública — e levanta sérias preocupações sobre o futuro ambiental da região.

A proposta prevê 15 anos de extração subterrânea de tungsténio, numa área que esteve abandonada e silenciosa desde 1986. Agora, a empresa Minerália quer voltar a abrir as entranhas da serra, prometendo empregos e progresso, mas deixando no ar o fantasma de um novo atentado ecológico no coração do Barroso, território classificado como Património Agrícola Mundial e integrado na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés.
⚠️ Exploração intensiva e riscos para a água e o ar
De acordo com o EIA, está prevista a extração de meio milhão de toneladas de minério por ano, durante uma década e meia. O projeto inclui uma lavaria, depósitos, bacias de retenção, armazéns e outras estruturas industriais à superfície — um cenário que promete alterar profundamente a paisagem e o equilíbrio natural da região.
Os impactos negativos apontados pelo próprio estudo não são menores: aumento das poeiras e do ruído, vibrações constantes, risco de contaminação da água e perturbação das comunidades de fauna, incluindo zonas onde foi confirmada a presença do lobo-ibérico, uma espécie protegida. Há ainda habitações que poderão ter de ser desocupadas.
🌫️ Poluição e destruição paisagística à vista
Apesar de a APA assegurar que a exploração “em nada colide” com o património agrícola do Barroso, o projeto estende-se por áreas florestais e zonas de grande sensibilidade ecológica. O receio de novas descargas, poeiras tóxicas e destruição de ecossistemas paira sobre as aldeias vizinhas — Borralha, Caniçó e Paredes de Salto — que temem um regresso ao passado negro da mineração.
As comunidades locais alertam para o risco de o projeto reabrir feridas ambientais antigas, num território que ainda guarda marcas visíveis das explorações do século XX.
🧨 População em alerta e protestos à vista
A contestação não é nova. Já em 2021, uma marcha lenta de protesto percorreu as estradas de Montalegre, exigindo a suspensão do projeto. Em 2024, a associação Povo e Natureza do Barroso voltou a denunciar sondagens em terrenos contaminados por metais pesados — alegações negadas pela Minerália, mas que mantêm viva a polémica.
Enquanto o EIA fica em consulta pública até 17 de novembro, a população teme que esta seja a última oportunidade para travar um projeto que poderá marcar irreversivelmente o ambiente e o modo de vida barrosão.


