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Norte quer mais voz e mais poder”: Presidente da CCDR NORTE exige autonomia reforçada para enfrentar um futuro de incerteza

Amarante foi palco, esta terça-feira, dia 2 de dezembro, de um dos debates mais contundentes sobre o futuro da governação regional em Portugal. O Fórum Regional 2025, promovido pela CCDR NORTE, juntou autarcas, académicos, empresários e especialistas para discutir o papel estratégico do Norte no próximo ciclo europeu, num contexto que o Presidente da CCDR NORTE, António Cunha, descreveu como “um tempo de complexidade e incerteza”.

 

Na abertura do encontro, António Cunha deixou uma mensagem firme: o Norte precisa de mais autonomia, mais capacidade de decisão e uma Europa mais coordenada para responder aos desafios económicos, tecnológicos e sociais que se avolumam. “Este é um tempo que exige mais Europa e regiões fortes. Precisamos de um Norte mais forte para ter um Portugal mais forte”, afirmou, defendendo um reforço da desconcentração regional e da descentralização territorial depois de 2028.

 
 

Sublinhou ainda que a escala regional é crucial para garantir políticas públicas mais eficazes, e que cada euro de investimento europeu tem de produzir “mais competitividade, mais sustentabilidade e mais qualidade de vida”. Recordou o percurso sólido da região na gestão dos fundos europeus, desde o NORTE 2020 até ao NORTE2030, deixando um alerta: “O futuro não espera.”

Um dos momentos mais marcantes do Fórum chegou com a intervenção do Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que reforçou a posição do Governo na defesa de uma Política de Coesão fortemente ancorada nas regiões. O Ministro declarou ser “um erro olhar apenas para os países”, insistindo na importância de reconhecer as diferenças entre regiões e de consolidar as CCDR como pilares de planeamento e coordenação territorial.

 
 

Castro Almeida destacou ainda a relevância do processo de desconcentração administrativa em curso, que devolve às CCDR competências em áreas como Agricultura, Saúde, Educação, Ambiente e Cultura. “Estamos a romper com o centralismo e a construir um modelo de governação mais próximo das pessoas e das necessidades reais do território”, sublinhou.

O Fórum Regional 2025 ficou também marcado pela entrega do Prémio Personalidade do Norte 2025 a Luís Portela, figura de referência no setor farmacêutico e cultural, reconhecido pelo seu contributo excecional ao longo de mais de quatro décadas.

 

Duas mesas-redondas aprofundaram o debate: uma dedicada ao futuro das políticas de coesão pós-2028, com a intervenção de Sofia Alves, da Comissão Europeia; e outra focada nos desafios da descentralização, apresentada pelo especialista Joaquim Oliveira Martins. O encontro terminou com um debate alargado que reuniu personalidades de peso da vida política e académica, moderado pela jornalista Inês Cardoso.

O recado final ficou claro: o Norte quer — e precisa — de ter mais voz e mais poder para enfrentar um futuro que se anuncia desafiante, mas também cheio de oportunidades.

 

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