O CDS bateu, inequivocamente, no fundo

Realizadas as eleições legislativas criadas pela esquerda, sabemos hoje os resultados.

 

E com esses mesmo resultados ficamos a saber que o PS vai governar os próximos quatro anos em maioria absoluta, por decisão dos portugueses. Afinal, o tacticismo de Costa valeu a pena e, efetivamente, os portugueses demonstram que o que os move não é a preparação do futuro de um País e das futuras gerações, mas antes um prato de lentilhas e duas esmolas, e o medo do monstro da direita que navega na maioria da população portuguesa, por ignorância e desconhecimento.

 
 

E mais, fica mais que claro que o PSD enquanto se encostar à esquerda não ganhará eleições. Não ganha porque não é alternativa. Não ganha porque não apresenta nada diferente. Não ganha porque o modelo de sociedade apresentado pelo PS é o mesmo. E não ganha porque para votar num partido de esquerda, o eleitor prefere o original que ele já conhece e que lhe manterá o que já tem.

Quando efetivamente chegamos a umas eleições e o PS ataca os partidos da direita com o monstro da privatização da segurança social e a segurança social pública garante a mais de um milhão de portugueses cerca de 300 euros de pensão mensal, eu fico estupefacto com a ambição deste povo.

 
 

A ambição dos portugueses é apenas não morrer de fome… o que, diga-se, é muito pouco para um País da União Europeia. Mas o povo quer, o povo tem.

E cada um tem aquilo que merece.

 

Mas e o CDS? O meu partido de sempre…

Francisco

O CDS bateu, inequivocamente, no fundo. E bateu porque ao longo dos anos, após a saída de Paulo Portas, as lideranças não perceberam Portugal e não perceberam os eleitores de direita que se reviam no CDS.

 

A primeira culpada desta hecatombe é Assunção Cristas, que durante a sua liderança ignorou as estruturas locais (porque se achava maior que o Partido) e se sustentou num CDS moderninho, cujo catrapaço de ideias pertencia a Adolfo Mesquita Nunes, o tal militante do CDS que de candidato a presidente do partido à desfiliação do mesmo demorou 3 meses.

Assunção Cristas não só não soube ouvir o partido, como deixou os seus militantes serem vilipendiados pelo poder socialista por esse País fora, sem dizer um “ai”. Deixou-os torrar às mãos da esquerda. Quadros fantásticos do CDS um pouco por todo o país que se viram sozinhos no momento do aperto. Cristas achava que não precisava de ninguém. E seguiu o caminho da derrota, por também não ter apresentado uma ideia de sociedade, uma alternativa. O CDS vivia de propostas soltas.

E em 2019 rebentou com dez deputados do grupo parlamentar.

E depois veio Francisco Rodrigues dos Santos, que se rodeou dos Castristas com sede de vingança do Portismo, dos TEM´s e dos Anacoretas desta vida. E ainda teve o topete de dizer no debate com o líder da Iniciativa Liberal, que falava do saneamento de Cecília Meireles, que Cotrim estava era com medo do novo CDS, das novas figuras do CDS.

 

Mas FRS, apesar de jovem, deveria saber que as supostas novas figuras do CDS que apresentou não eram novas e que para além de não serem novas, eram fracas e sobejamente conhecidas de outros tempos. Os Pedros Melos, os Borges de Freitas, os Castros, etc, etc.

E de entre estas figuras impôs um José Paulo Carvalho, como cabeça de lista pelo distrito de Braga, como que a chamar ignorantes e acéfalo aos militantes do CDS e aos seus eleitores. Como se pode candidatar alguém que, aquando no exercício do mandato de deputado pelo CDS em 2006/2007, se desfiliou do partido e se manteve como deputado não inscrito na Assembleia da República? Era esta a nova vaga de figuras do CDS? Sou de um partido por convicção, não por cegueira. E não podia entregar o meu voto a quem anos antes me tinha desrespeitado enquanto eleitor CDS. E muitos outros o fizeram e me deram conhecimento. E que sempre foram eleitores do CDS.

Efetivamente a renovação do “plantel” no CDS poderia e deveria ter acontecido. Pois alguns já eram deputados do CDS há tempo demais. Mas não desta forma. Não há lei da bala.

E quando se quer partir para umas eleições legislativas onde se precisa de todos, pois já somos poucos, partindo tudo e todos, dá desastre na certa. E ele aconteceu.

E por culpa dos estrategas de FRS.

Agora falta saber o que quer o CDS. O que esperam os militantes do CDS. Se um CDS moderninho ou um CDS clássico, que tenha a coragem de defender uma sociedade diferente para Portugal e que a ofereça à classe média Portuguesa uma alternativa, alternativa essa que não está em nenhum dos partidos que estão no parlamento.

Que não seja um CDS que se diz de direita, mas tem medo de defender a iniciativa privada e que está sempre com medo de falar nas privatizações de empresas ruinosas como TAP e RTP. Que não seja um CDS que se diz de direita e que tem medo de falar no modelo de financiamento da Segurança Social. Que não seja um CDS de direita e que depois tem medo de falar nos complementos ao SNS. Que não tenha medo de falar de parcerias publico privadas com risco para o privado.

Que não tenha medo de defender a classe média, em claro definhamento em Portugal.

Que não seja um CDS que se diz de direita e dá liberdade de votação em valores essenciais da nossa sociedade…

Como sabem, de facto, estou afastado das lides partidárias.

Mas sem o CDS e quem represente estas ideias, o meu voto está órfão. Está órfão porque é o partido onde eu efetivamente me encaixo.

E por isso espero que ainda haja futuro para o meu voto.

A bem de Portugal.

Rui Barreira – Advogado na CLT

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